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Nós.
Da minha consciência ancestral.
Ontem, sentada frente ao espelho Ia cuidar dos meus cabelos Com o creme de alisamento Abri o pote e o forte cheiro Adentrou‐me as narinas tão violento Fazendo‐me fechar os olhos Por um momento Abri‐os novamente e ela estava lá Sentada ao pé da cama a me mirar Pés e mãos acorrentados A lágrima no rosto a brilhar De onde vem, sussurrei Do outro lado do mar O fedor aqui é tão forte Já não posso respirar Ontem, sentada frente ao espelho Ia cuidar dos meus cabelos Esperava a chapinha esquentar Estiquei a primeira mecha Mas, descuidada queimei a testa Senti a pele a latejar Fechei os olhos, contendo a dor e o ódio E quando os abri, ela já estava lá Na bochecha uma cicatriz Quem lhe fez isso? Saber eu quis Ela levantou‐se e tocou minha queimadura Depois falou‐me com ternura: Agora a qualquer lugar onde eu for Saberão sempre quem é meu senhor Ontem sentada frente ao espelho Resolvi amar os meus cabelos Sussurrei seu nome com zelo Esperei ela se sentar Ela se achegou sem receio Recostou minh...

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